O CMPF (Centre for Media Pluralism and Media Freedom) acaba de disponibilizar a edição de 2016 do MPM – Media Pluralism Monitor, centrado sobre a análise do pluralismo nos media na Europa. O Monitor examinou nesta edição 30 países europeus e os resultados finais mostram que nenhum dos países está livre de riscos, pelo que se pode considerar que o pluralismo está em risco na Europa. Os resultados globais do estudo podem ser vistos aqui: http://cmpf.eui.eu/media-pluralism-monitor/mpm-2016-results/

“Há muito espaço para melhorar quando se trata de proteção contra interferências comerciais e políticas nos media e no acesso aos media para as mulheres e as minorias”, segundo o diretor do CMPF, Prof. Pier Luigi Parcu e coordenador do estudo europeu. Embora a maioria dos países em geral tenha salvaguardas regulamentares básicas para o pluralismo nos meios de comunicação, alguma erosão da liberdade de expressão e da proteção para jornalistas pode ser identificada em cerca de um terço dos países. O pior cenário para proteções básicas é analisado na Turquia. Apenas alguns países obtêm baixo risco nas áreas de independência política, pluralidade do mercado e inclusão social.

Neste estudo participou uma equipa portuguesa do CIC.Digital (Pólo FCSH/NOVA), constituída pelos investigadores e professores do Departamento de Ciências da Comunicação da NOVA, F. Rui Cádima, que coordenou a parte portuguesa do estudo, Carla Baptista, Luís Oliveira Martins e Marisa Torres da Silva. A análise de caso português pode ser vista aqui.

Principais conclusões:

A propriedade dos media está altamente concentrada e isso constitui uma barreira significativa para a diversidade da informação e pontos de vista representados no conteúdo dos media.

A falta de transparência da propriedade dos media é uma realidade em muitos países, o que torna difícil para o público entender os preconceitos no conteúdo dos media.

A autonomia editorial é um dos aspetos mais vulneráveis ​​dos sistemas de media, assim suscetíveis às influências comerciais e políticas.

Muitas das autoridades de media em toda a Europa enfrentam fortes pressões políticas, em particular quando se trata de procedimentos de nomeação e composição das autoridades.

A maioria dos países apresenta riscos significativos em relação à literacia mediática ou por não ter uma política nessa área, ou por tê-la insuficientemente desenvolvida, ou por não dedicar atenção ao ensino de literacia mediática dentro e fora das escolas.

Muitas das minorias que residem na UE não têm acesso adequado aos media, sendo que os media comunitários são inexistentes em vários países.

Nenhum dos países obteve baixo risco na representação das mulheres como sujeitos e fontes nas notícias, o que indica que as mulheres podem estar fortemente sub-representadas na media em toda a Europa.